Os ensaios in situ constituem uma etapa fundamental da investigação geotécnica, permitindo avaliar diretamente as propriedades mecânicas e hidráulicas dos solos e rochas em seu estado natural. Em Araraquara, cidade com franca expansão urbana e industrial, a execução destes ensaios é indispensável para embasar projetos de fundações, contenções e obras de infraestrutura, reduzindo incertezas e prevenindo patologias estruturais que poderiam comprometer a segurança e a viabilidade econômica dos empreendimentos. Diferentemente dos ensaios de laboratório, que analisam amostras deformadas ou indeformadas, os ensaios de campo preservam as condições originais de tensão, umidade e estrutura do maciço, fornecendo parâmetros mais representativos para o dimensionamento geotécnico.
A geologia local de Araraquara é dominada pelos arenitos da Formação Botucatu e pelos basaltos da Formação Serra Geral, integrantes da Bacia Sedimentar do Paraná. Sobre estas rochas, desenvolvem-se solos residuais arenosos e argilosos, muitas vezes heterogêneos e com comportamento hidráulico e mecânico variável em curtas distâncias. Esta variabilidade exige uma caracterização criteriosa por meio de ensaios como o ensaio de permeabilidade in situ (Lefranc/Lugeon), que quantifica a condutividade hidráulica em maciços terrosos e rochosos, respectivamente. Em zonas de recarga de aquíferos, como os mananciais que abastecem a região, a determinação precisa da permeabilidade é crítica para projetos de disposição de resíduos e sistemas de drenagem.
A normativa brasileira aplicável aos ensaios in situ é extensa e rege tanto os procedimentos executivos quanto os critérios de interpretação. A ABNT NBR 6484:2020 estabelece o método para execução de sondagens de simples reconhecimento com ensaio SPT, enquanto a NBR 10905:1989 trata do ensaio de palheta (Vane Test). Para ensaios de permeabilidade, a NBR 14545:2021 define os procedimentos para determinação do coeficiente de permeabilidade em solos argilosos por carga variável, e o ensaio Lugeon, amplamente utilizado em maciços rochosos fraturados, segue recomendações técnicas consolidadas internacionalmente e adaptadas à prática brasileira. O cumprimento destas normas assegura a confiabilidade dos dados e a rastreabilidade dos resultados, aspectos cada vez mais exigidos por órgãos ambientais e agentes financiadores.
Projetos de variadas tipologias demandam campanhas de ensaios in situ em Araraquara. Obras de saneamento, como estações de tratamento de esgoto e aterros sanitários, exigem o ensaio de permeabilidade in situ (Lefranc/Lugeon) para avaliar a estanqueidade do solo e o risco de contaminação do lençol freático. Na construção civil, edifícios de múltiplos pavimentos e galpões logísticos dependem de sondagens com medida de torque e ensaios de cone (CPT) para a escolha do tipo de fundação mais adequado. Já as obras viárias e ferroviárias, como duplicações de rodovias e contornos urbanos, utilizam provas de carga estática e dinâmica para validar a capacidade de suporte de estacas e aterros sobre solos moles.
Ensaios in situ avaliam o solo ou rocha em seu estado natural, preservando tensões, umidade e estrutura originais, enquanto os de laboratório analisam amostras que podem sofrer alterações durante coleta e transporte. Os ensaios de campo fornecem parâmetros mais representativos do comportamento real do maciço, essenciais para projetos geotécnicos de grande responsabilidade.
São obrigatórios em obras que interagem com águas subterrâneas, como aterros sanitários, barragens, rebaixamento de lençol freático e sistemas de infiltração. A legislação ambiental brasileira e normas como a NBR 14545:2021 exigem a determinação do coeficiente de permeabilidade para avaliar riscos de contaminação e garantir a eficiência de sistemas de drenagem e contenção hidráulica.
Os ensaios mais comuns incluem o SPT (Standard Penetration Test) para investigação preliminar, o CPT (Cone Penetration Test) para perfil contínuo de resistência, o DMT (Dilatômetro de Marchetti) para módulo de deformabilidade, e provas de carga estática em estacas para validação da capacidade de carga. A escolha depende da geologia local e da complexidade da estrutura.
A presença de arenitos e basaltos da Bacia do Paraná, com solos residuais heterogêneos, exige ensaios que detectem variações de resistência e permeabilidade. Em zonas de basalto fraturado, o ensaio Lugeon é crucial para avaliar a condutividade hidráulica, enquanto em solos arenosos o SPT e o CPT são fundamentais para definir a capacidade de suporte e o potencial de liquefação.