Um erro que ainda vemos com frequência nas obras do interior paulista é confiar em parâmetros genéricos de fundação sem investigar o que realmente existe abaixo da superfície. Em Araraquara, a presença de solos residuais de arenito com comportamento saprolítico pode enganar até profissionais experientes: o material parece competente na escavação, mas perde resistência rapidamente com a saturação. Um projeto de fundações em estacas bem dimensionado começa obrigatoriamente com sondagens de qualidade. Sem isso, a conta aparece depois na forma de recalques diferenciais ou estacas subdimensionadas. Por aqui, nossa recomendação é sempre cruzar os dados de SPT com análise granulométrica e, quando necessário, complementar com ensaios CPT para perfis contínuos. Um ensaio CPT bem executado revela variações sutis na resistência de ponta que o SPT pode mascarar, especialmente em perfis de transição solo-rocha. Isso faz toda a diferença na escolha entre estaca escavada ou cravada e na definição da cota de assentamento.
O dimensionamento de estacas sobre solo saprolítico exige cautela redobrada: a rocha alterada pode se comportar como solo ou como rocha, dependendo do grau de saturação.
