Um dos erros mais comuns que vemos nas obras de Araraquara é confiar cegamente em sondagens de simples reconhecimento quando o perfil de solo varia significativamente em poucos metros. A cidade, assentada sobre os arenitos da Formação Botucatu e com coberturas de solo residual que mudam de comportamento conforme a altitude — que oscila entre 580 e 680 metros — exige um nível de detalhamento que só o ensaio CPT consegue fornecer. Em vez de amostras pontuais a cada metro, obtemos um registro contínuo da resistência de ponta (qc) e do atrito lateral (fs), permitindo identificar lentes finas de silte ou areia que passariam despercebidas. O equipamento, montado em caminhão com capacidade de reação de até 20 toneladas, crava o cone a uma velocidade constante de 2 cm/s, gerando leituras a cada centímetro de profundidade. Na prática, isso significa que, para um prédio de 15 andares na região do Jardim das Estações, conseguimos mapear exatamente onde começa e termina cada camada, ajustando a cota de assentamento das estacas com precisão de centímetros. Trabalhamos com penetrômetro elétrico com célula de carga calibrada na norma ABNT NBR ISO 22476-1, garantindo que os parâmetros de projeto — como a classificação do solo pelo ábaco de Robertson — reflitam a realidade do subsolo local e não uma interpretação aproximada.
Com o CPT, lemos o solo centímetro por centímetro: nenhuma camada fraca escapa da ponta do cone em Araraquara.
